Cultura Negra & Brasil: uma lista de museus afro-brasileiros pelo país

É muito importante conhecer a própria história e a comunidade negra brasileira teve essa possibilidade roubada por muito tempo. Assim como a dificuldade em traçar a árvore genealógica e conhecer seus ancestrais, o acesso à verdadeira narrativa do passado negro ainda é irrisória nas escolas e por isso a existência de museus afro-brasileiros é essencial.

Muitas pessoas negras ainda não reconhecem grandes nomes da literatura negra clássica ou contemporânea e tampouco outros artistas negros que não só buscam visibilizar quem sempre foi apagado como também fazer uma denúncia contra as atrocidades que o povo negro ainda enfrenta.

Museus afro-brasileiros vão além porque cumprem esse papel tanto como ferramenta cultural como instrumento de denúncia.

Segue aqui uma lista de museus afro-brasileiros para você adicionar à sua lista e visitar quando a pandemia for uma distante lembrança:

Museu Afro Brasil – São Paulo (SP)

Endereço: Avenida Pedro Álvares Cabral, Portão 10 do Parque Ibirapuera – Ibirapuera, São Paulo – SP

Horário de funcionamento: terça a domingo das 10h às 17h (permanência até às 18h) em período normal, mas fechado temporariamente devido à pandemia

Preço: R$15,00 Inteira; R$7,50 Meia / Gratuidade aos sábados / Política de gratuidade diferenciada para alguns grupos que podem ser consultados no site do museu

espaço é uma instituição que conserva nada menos do que seis mil obras (entre pinturas, esculturas, gravuras, fotos, documentos e peças etnológicas) de autores brasileiros e estrangeiros que trabalham com artefatos culturais africanos e afro-brasileiros.

Temas como religião, trabalho, arte e escravidão são abordados na exposição de longa duração e além dela o museu realiza exposições temporárias, contando também com um auditório e uma biblioteca especializada.

Lembro que quando visitei eu entrei quase em uma espécie de hipnose ao observar a quantidade de obras expostas, mas absolutamente me choquei com a sala que abriga a reprodução de um navio negreiro. É uma experiência tão forte que me deixou em lágrimas.

Foto do Museu Afro Brasil na postagem sobre museus afro-brasileiros no blog Negra em Movimento.
Museu Afro Brasil – Fonte: Site Veja São Paulo

Museu Afro-brasileiro UFBA – Salvador (BA)

Endereço: Rua das Vassouras, 1-23 – Centro (Dentro da Faculdade de Medicina de Salvador)

Horário de funcionamento: segunda à Sexta de 9h às 17h em período normal, mas fechado temporariamente devido à pandemia

Preço: R$6

O espaço fica dentro da Faculdade de Medicina, localizada no Terreiro de Jesus. Atendendo pela sigla MAFRO, o museu é administrado pela UFBA (Universidade Federal da Bahia) e é um dos poucos no Brasil a elencar artefatos da cultura africana e sua influência na formação da cultura do país.

Seu acervo se divide na cultura material africana formada por exemplos como esculturas, cerâmicas, adornos, instrumentos musicais e trajes bem como pela cultura material afro-brasileira composta principalmente por artefatos do candomblé baiano.

O ingresso do MAFRO te dá direito a visitar também o Museu de Arqueologia e Etnologia da UFBA que fica no mesmo prédio.

Foto do MAFRO Salvador na postagem sobre museus afro-brasileiros no blog Negra em Movimento.
MAFRO Salvador – Fonte: Site da Agenda Arte e Cultura (UFBA)

Museu da História e da Cultura Afro-brasileira – Rio de Janeiro (RJ)

Endereço: R. Pedro Ernesto, 80 – Gamboa, Rio de Janeiro – RJ

Horário de funcionamento: de terça a sábado, de 10h as 17h em período normal, mas fechado temporariamente devido à pandemia

Preço: Gratuito

O MUHCAB é administrado pela Secretaria de Cultura da Prefeitura da cidade do Rio de Janeiro e fica localizado na região conhecida como “Pequena África”.

A proposta do museu é oferecer atividades de capacitação e educação com enfoque na cultura afro-brasileira como curso de inglês afrocentrado, capoeira, acompanhamento psicológico com viés racial, etc.

Em sua sede também são realizadas atividades culturais como rodas de samba, exposições temporárias da cultura afro, workshops, lançamentos de livros de escritores negros e aulas de medicina tradicional africana.

O interessante do MUHCAB é que ele busca se consolidar como socialmente responsável e para isso tem como característica a gestão participativa.

Assim sendo, eles convidam representantes do movimento negro carioca bem como moradores e trabalhadores da região da Pequena África para fomentar um diálogo sobre o museu, os programas e planos.

Foto MUHCAB RJ na postagem sobre museus afro-brasileiros no blog Negra em Movimento.
MUHCAB RJ – Fonte: Site O Dia

Museu AfroDigital – Rio de Janeiro (RJ)

O projeto é uma iniciativa por parte da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e possui o objetivo de construir um acervo digital e exposições virtuais na busca de construção de uma memória para a comunidade negra.

A ideia é que a galeria digital funcione em uma perspectiva interdisciplinar como espaço de encontro e compartilhamento de saberes a respeito do legado africano e de afrodescendentes.

Entre os documentos que compõem o acervo são aceitos textos, poesias, medicina tradicional, fotos, gravações, partituras, jornais, etc., disponibilizados em exposições e arquivos. Entende-se que a digitalização da informação facilita a repatriação de documentos e dissemina outros documentos de difícil acesso.

Foto Museu AfroDigital RJ na postagem sobre museus afro-brasileiros no blog Negra em Movimento.
Museu AfroDigital – Fonte: Página do Museu no Facebook

Museu Senzala Negro Liberto – Redenção (CE)

Endereço: Av. da Abolição, S/N, Sítio Livramento – Redenção, Ceara

Horário de funcionamento e Preço: (confirmar na reabertura do museu)

O museu foi fundado em 2003 e se localiza no município de redenção a 50km de Fortaleza, no Engenho Livramento.

Ele é composto por casa-grande, senzala, canavial, moageira e uma loja (Mercado da Sinhá), além disso sua arquitetura tem estilo colonial original. No Mercado da Sinhá é possível fazer uma degustação de cachaça envelhecida em tonéis de bálsamo por 30 anos.

Foto Museu Senzala Negro Liberto na postagem sobre museus afro-brasileiros no blog Negra em Movimento.
Museu Senzala Negro Liberto – Fonte: Wikipedia

Museu Afro-brasileiro – Laranjeiras (SE)

Endereço: Rua José do Prado Franco, 70 – Laranjeiras, Sergipe

Horário de funcionamento: De terça a sexta-feira, das 10h às 17h; sábados e domingos, das 10h às 16h em período normal, mas fechado temporariamente devido à pandemia

Preço: (confirmar na reabertura do museu)

O local é considerado o berço da negritude sergipana e funciona em um prédio que servia como comércio e residência da família Brandão.

Seu acervo conta com peças que datam do século XVII. Os objetos remetem à economia açucareira, religiosidade, objetos de tortura do período escravocrata e a história da luta do povo negro que viveu em Sergipe na época.

Foto Museu Afro-brasileiro de Sergipe na postagem sobre museus afro-brasileiros no blog Negra em Movimento.
Museu Afro-brasileiro de Sergipe – Fonte: Site Inclusão Social

Museu da Abolição – Recife (PE)

Endereço: R. Benfica, 1150 – Madalena, Recife – PE

Horário de funcionamento: segunda a sexta-feira, das 9h às 17h, e aos sábados, das 13h às 17h em período normal, mas fechado temporariamente devido à pandemia

Preço: Gratuito

O Museu foi inaugurado no dia 13 de maio de 1983 e possui a missão de preservar, pesquisar, divulgar, valorizar e difundir a cultura afro-brasileira.

Através do acesso à memória, valores históricos, artísticos e culturais bem como os patrimônios material e imaterial de afrodescendentes, busca-se estimular o pensamento crítico.

Sua estrutura é composta de salas de exposições temporárias e de longa duração, auditório, acervo bibliográfico, jardim arborizado e um teatro de arena.

Foto Museu da Abolição na postagem sobre museus afro-brasileiros no blog Negra em Movimento.
Museu da Abolição – Fonte: Site do Museu

Cafuá das Mercês – São Luís (MA)

Endereço: Rua da Palma, 502, Desterro, São Luís – MA

Horário de funcionamento e Preço: (confirmar na reabertura do museu, que se encontra fechado também para reforma)

O local, também conhecido como Museu do Negro, funciona em um antigo mercado escravocrata que recebia pessoas negras submetidas ao tráfico de escravos e desembarcavam ali no Portinho. Fica anexo ao Museu Histórico e Artístico do Maranhão.

Seu acervo conta com objetos de cultos religiosos como cachimbos, cabaças, tambores e fotografias bem como instrumentos de tortura utilizadas no período.

Foto Cafuá das Mercês na postagem sobre museus afro-brasileiros no blog Negra em Movimento.
Cafuá das Mercês – Fonte: Site da Secretaria de Cultura do Maranhão

Muito se fala da importância de viajantes negros experimentarem o turismo étnico como forma de se conectar às suas raízes e nesse sentido visitar museus afro-brasileiros pode ser o elemento que faltava no roteiro.

Se você conhece outros museus afro-brasileiros que ficaram de fora da lista, conte-me aqui nos comentários.

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