Fotos de pessoas negras: três bancos de imagens para conhecer

Capa de postagem de fotos de pessoas negras no blog Negra em Movimento.

Devido aos textos que escrevo para o blog e para o meu perfil no Medium, frequentemente eu recorro a bancos de imagens para conseguir algumas fotos. Aposto que se você fez o mesmo já se deparou alguma vez com a realidade: não existe uma grande variedade de fotos de pessoas negras por lá.

É mais um tentáculo da invisibilização negra que tanto debatemos e por isso é tão importante exaltar iniciativas que combatem isso. Por isso hoje vim trazer três opções de sites onde pode conseguir fotos de nós para falar de nós.

Confira os projetos abaixo:

Nappy

O Nappy é um banco incrível de imagens que surgiu exatamente com a proposta de representar que pessoas pretas existem no mundo e também devem existir nas fotos que representam esse mundo.

Eles compartilham fotos gratuitas de alta qualidade que você pode baixar, alterar e utilizar da forma como quiser porque a licença das imagens é livre. Eles só pedem que as fotos não sejam vendidas, postadas em outros bancos de imagens e usadas para degradação das pessoas expostas nela. Os créditos não são obrigatórios, mas recomendados.

Uma das coisas incríveis sobre o Nappy é a relação transparente que promove com a comunidade online. Eles incentivam o compartilhamento das fotos para aumentar o alcance e representatividade.

Além disso, também apresentam um e-mail para relato de possíveis bugs encontrados. O site disponibiliza um relatório informando o seu progresso: problemas que já resolveram, os que estão sendo resolvidos e aqueles pendentes de solução.

O próprio nome do site é uma ressignificação do termo “nappy”, uma palavra ofensiva que era utilizada para discriminar o cabelo afro. Com o movimento para retomar o amor pela beleza preta, o termo passou a ser utilizado com orgulho principalmente por mulheres negras na mídia online.

É um termo um tanto controverso na comunidade negra estadunidense e definitivamente não se recomenda ser usado por pessoas brancas. Mas tomar poder acerca da palavra foi uma forma que muitos utilizaram para combater o racismo e um sistema opressor de séculos.

Montagem de fotos Nappy no blog Negra em Movimento.
Fotos retiradas do site Nappy.

Young, Gifted and Black

O YGB é um banco de imagens feito por mulheres negras desde as modelos à direção que contribui com fotos de pessoas negras. O termo Young, Gifted and Black (“Jovem, Talentoso e Preto”) é referência à música de mesmo nome da maravilhosa cantora Nina Simone, um grande símbolo dos direitos civis americanos.

É um site que foi financiado coletivamente e ainda está em construção, portanto ainda não apresenta um número grande de fotos. Eles estão abertos à parcerias e doações para alavancar mais ainda o projeto.

Você pode utilizar as fotos de maneira gratuita com uma boa resolução para postagens e apresentações. Caso deseje utilizar uma resolução maior da foto, então ela é cobrada num esquema parecido com bancos tradicionais de imagens.

Não é permitida a revenda, a postagem em outros bancos de imagens ou a utilização de maneira degradante ou ofensiva às mulheres que estão nas fotos ou a equipe técnica.

É solicitado que os créditos sejam dados ao site quando a foto for utilizada para que assim mais pessoas conhecem o YGB e contribuam para o crescimento dele.

Montagem de fotos Young, Gifted and Black no blog Negra em Movimento.
Fotos retiradas do site YGB.

Mulheres (In)visíveis

O projeto Mulheres (In)visíveis é um pouco diferente dos outros dois. Ele é resultado da parceria da 65|10 (consultoria especializada em comunicação com mulheres) e o coletivo CatsuStreet e suas fotos são vendidas nos sites Fotolia e Adobe Stock; a renda é revertida para a expansão do banco de imagens.

Assim como o próprio nome já incita, o objetivo principal do projeto é trazer luz às mulheres que são invisibilizadas nas campanhas de publicidade, ainda que existam e vivam no mesmo Brasil que conhecemos. As fotos da primeira edição são compostas por mulheres negras, gordas, lésbicas e transgêneros.

E essas mulheres são retratadas em ambientes naturais e comuns como em escritórios e ambientes de lazer, afastando-se dos estereótipos que as envolvem e naturalizando a sua existência.

A primeira edição do projeto foi realizado pela fotógrafa baiana Helen Salomão e é a primeira iniciativa do tipo no país. As mulheres que aparecem nas fotos desta primeira edição eram pessoas do cotidiano das consultoras do 65|10 e foram selecionadas exatamente com o objetivo de formarem um casting real.

A segunda edição do projeto se tornou ainda mais inclusivo, trazendo também fotos de mulheres com deficiência e acima da faixa dos 45 anos. E assim elas seguem buscando representar quem de fato as mulheres brasileiras são.

Montagem de fotos Mulheres Invisíveis no blog Negra em Movimento.
Fotos retiradas do site Adobe.

Fotos de pessoas negras na publicidade importam. São três projetos extremamente necessários que não só podem nos ajudar na disseminação do conteúdo que produzimos como também a nos enxergar melhor naquilo que queremos refletir.

Se gostaria de ler mais sobre empoderamento negro, não deixe de checar a minha última postagem sobre a Pequena África Boutique, uma loja de moda afro que trabalha com empreendedores negros no Rio de Janeiro.

Que outros projetos como esses vocês conhecem?