Por que viajamos?

Foto capa da postagem por que viajamos no blog Negra em Movimento.

Nesses últimos tempos um pensamento tem sido recorrente em minha mente: por que viajamos?

É claro que isso tem diretamente a ver com a pandemia que revolucionou nossa forma de pensar, agir e ser em comunidade e com nós mesmos. Nesses momentos em que não podemos fazê-lo, proponho uma autorreflexão da razão de fazermos.

Afinal, frequentemente entendemos a viagem como algo incrível e essencial sem nem menos refletir sobre a sua efetiva razão de ser.

É importante ter consciência sobre por que viajamos é especial para nós.

Você sabe?

A verdade é que viajar se tornou um artefato de moda. Virou “cool” ser a pessoa viajada, a pessoa aventureira que larga tudo e viaja sem rumo, a mulher independente que adora viajar sozinha, o nômade digital que revolucionou sua forma de trabalhar e agora só depende de um laptop para ganhar dinheiro, de qualquer lugar do mundo.

“— O que vai fazer nas férias?

— Vou ficar em casa relaxando.

— Nossa! Não vai viajar? Que desperdício!”

Sabe o que não é “cool”?

A ideia pré-concebida de que quem não faz nada disso não está vivendo de verdade.

O mito da equalidade de oportunidades

Vivemos em um mundo desigual e isso não é surpresa. Nem todas as pessoas têm as mesmas possibilidades ou responsabilidades e logo nem todos podem simplesmente vender tudo o que tem e iniciar uma jornada sem hora para acabar.

Essas pessoas não devem se sentir menos do que ninguém porque não estão seguindo ou não podem seguir essa vida.

Por vezes nos esquecemos que muitos dos atributos e características que temos em nossas vidas chegaram a nós por meio de privilégios. Eu mesma, aqui agora escrevendo este texto no conforto de meu quarto, só o faço porque existem uma série de fatores em minha vida que me possibilitaram ter o tempo, disponibilidade e internet para tal.

Isso não significa que todas as pessoas que viajam são ricas ou que não precisaram batalhar para conseguir nada, isso é uma grande inverdade. Sempre falo que é preciso de planejamento e uma hierarquia de prioridades para viajar, não necessariamente rios de dinheiro.

O que proponho aqui a ser considerado é que existem muitas pessoas nesse mundo buscando conquistar o mínimo para a sobrevivência; acredite que somos privilegiados sim pelo simples fato de não termos precisado lutar pela nossa dignidade.

O mito da vida dos sonhos

Vivemos em mundo plural, isso significa que nem todo mundo vai gostar da mesma coisa e isso é incrível. Ser diferente é o que de melhor podemos oferecer aos outros, uma eterna jornada de descoberta e aprendizado. Ou seja, não é porque achamos que viajar é o suprassumo da vida, que esse é o sonho de todo mundo. Nem todo mundo quer viajar ou viver viajando e isso não é causa para estranhamento.

Essas pessoas não devem se sentir menos do que ninguém porque não se apaixonaram pela mesma tendência que tantos outros.

Tenhamos cuidado para não descartar rapidamente o estilo de trabalho de segunda a sexta no escritório como uma rotina de gente infeliz, acomodada ou covarde. Bem como precisamos parar de achar que quem tem os meios financeiros ou possibilidades para viajar e não o faz está vivendo do modo errado. Já cansei de ver muitos nômades digitais que, por terem encontrado a carreira dos sonhos deles, olham para modelos tradicionais como “atrasados” e “ultrapassados”.

Existe gente que conta os dias para as férias para conseguir viajar, tem gente que treme com a mera ideia de financiar uma casa própria, e tem gente cujo objetivo é ter um emprego estável, comprar uma casa no bairro onde sempre morou e formar uma família.

Todos os sonhos são válidos e nem um é menor, maior, melhor ou pior do que o outro. Concentremo-nos em encontrar e se possível lutar pela nossa fórmula de felicidade, não mensurar a fórmula do outro.

Não saímos de uma ditadura para entrar em outra: antes o estilo de vida tradicional nos aprisionava e se colocava como único caminho possível, revolucionamos o pensamento justamente para criar opções. Cada um deve ser livre para escolher o que fizer sentido para si.

A viagem no pódio de 1° lugar

Finalmente, a noção que pode ser a mais difícil de reconhecer: às vezes colocamos a viagem num lugar que não a pertence.

Cada vez que digo para mim mesma “nossa, eu preciso viajar!”, me forço a parar e pensar: eu preciso mesmo? E a resposta é não, não precisamos. Viajar não é uma real necessidade, nossos corpos não se pulverizarão pela abstinência da viagem.

Viajar é um dos privilégios mais cobiçados hoje, mas é isso: um privilégio. É algo que devemos agradecer por poder fazer, mas não é algo com o qual não podemos viver sem.

E eu sei que talvez vá discordar de imediato, porque viajar é o que te move – literal e figurativamente. É o que te faz aprender, ensinar, sentir-se viva, é o que te dá um sentimento de liberdade sem igual e um senso de conexão com o mundo que não sente de outra forma. Ao menos, é para mim.

Contudo, chega juntinho e pense comigo: não te parece desrespeitoso dizer que precisa viajar num momento em que pessoas precisam do simples ato de respirar?

Que tal, nesse momento de reclusão, direcionarmos nossas prioridades ao que deve ser priorizado? Sabemos que esse período não tem previsão de término e muito menos garantias de normalidade quando acabar. Por isso repensemos nossas ações, reações e decisões.

Entenda que além de tudo o ato de viajar é melhor feito com consciência. Ele nem combina com desespero, é para ser degustado com calma. 

A viagem é para alma, não para os outros. Então não adianta fazer disso só mais um artigo de vitrine que achamos que ficaria bem exposto na nossa vida.

Que tal repensarmos a urgência que sentimos pela viagem analisando sua origem?

A essência da felicidade

Cometemos o recorrente erro de pensar na viagem como a solução dos nossos problemas ou como uma fuga de uma vida que não mais nos satisfaz, mas que não podemos ou tentamos mudar. E isso é frustrante porque se torna um vício e acabamos nos perdendo nele, e nessa sensação de êxtase momentânea, porque não queremos lidar com o verdadeiro problema.

Você vê, viajar é a segunda coisa que mais gosto de fazer na vida, a primeira é escrever. Ainda assim, por mais que até me frustre afirmar, eu não preciso de nenhuma dessas coisas para sobreviver. 

Com certeza eu diria que preciso para viver bem. Mas, se você pensar, até isso é um pouco arbitrário. Quando não temos o que gostaríamos (e se você é um ser humano sabe que isso acontece com frequência), precisamos fazer um redirecionamento de expectativas e tentar viver bem de uma outra maneira.

Esse é o mundo. Não sempre conseguiremos o que queremos, mas a forma como olhamos para a situação será determinante. Parafraseando a autora Nora Roberts, “você precisa definir se fará disso uma festa ou uma tragédia”.

Um documentário incrível que fala sobre isso é o “Happy”, que significa “feliz” em inglês. Durante o desenvolvimento, testemunhamos pessoas reais, em situações que nossas mentes ocidentais oriundas de um sistema capitalista provavelmente julgariam “precárias”, relatando a felicidade que sentiam vivendo exatamente do jeito que viviam.

Então ponderamos incessantemente o que de fato precisamos para ser felizes, cientes de que muitas vezes confundimos “alegria” com “felicidade”.

Nesse sentido, é esse o objetivo desse texto: ponderarmos sobre viagem, felicidade, existência e nós.

Tire uns minutinhos, olhe para dentro e se pergunte:

Por que viajo?

Para finalizar:

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