Praia do Sono: um paraíso em meio à Mata Atlântica

A Praia do Sono fica localizada no município de Paraty (RJ) na Reserva Ecológica da Juatinga e na Área de Proteção Ambiental do Cairuçu.

Éuma comunidade caiçara hoje formada por 314 moradores nativos. Ela tem no turismo sua atividade de subsistência principal, seguidos pelo artesanato e pesca.

A antiga vila de pescadores hoje é um destino desejado por muitos viajantes graças à sua belíssima extensão de areia branca, mar azul turquesa e tranquilidade sem igual. Desde que visitei, é um cenário que não deixa a minha cabeça.

Como eu chego?

Para chegar à Praia do Sono, você tem duas opções: trilha ecológica ou transporte por barco.

Caso opte pela trilha e necessite de transporte público, pode pegar um ônibus na rodoviária de Paraty até a Vila Oratório em Laranjeiras (linha 1040) em um trajeto de 30 a 40 minutos.

Caso esteja de carro, siga até Patrimônio e pegue a estrada no sentido de Trindade. No alto do morro a estrada irá bifurcar, você deve virar à esquerda em direção à Laranjeiras e de lá seguir para a Vila Oratório, onde poderá estacionar o carro (o custo costuma ser um pouco alto).

A placa de início da trilha é bem sinalizada e provavelmente você encontrará uns aventureiros iniciando o mesmo trajeto. A trilha leva mais ou menos uma hora e possui muitas subidas e descidas, por isso diria que ela tem um nível moderado.

Se sua escolha for barco, é o mesmo esquema para chegar à Vila Oratório. De lá é só esperar a kombi do Condomínio Laranjeiras (gratuita, único transporte com autorização para rodar lá dentro). A kombi te levará até o cais e na volta por barco é o mesmo; a travessia por mar fica entre 10 e 15 minutos.

Minha experiência

Quando visitei à praia, fiz a trilha no trajeto de ida completamente sozinha porque fui bem cedinho em período de baixa temporada. Foi um delicioso desafio porque embora goste muito de trilhas, quase não faço onde moro (todas são bem longe).

E na volta, como estava ameaçando chover, escolhi ir de barco e foi decididamente uma aventura louca e divertida. Lá estava somente eu e o barqueiro, o mar agitado pela ameaça de chuva, nenhum colete em vista e eu com medo de cair no mar.

Inclusive, recomendo que façam questão de escolher barcos que tenham colete salva-vidas porque com segurança não se brinca. No meu caso, estava com medo da chuva e ele era o único barqueiro na praia na hora, mas essa foi a exceção e não a regra, beleza?

Paguei R$25 pelo trajeto no barco e o valor é geralmente esse mesmo, aumentando na alta temporada. É bom se atentar que em períodos de grande demanda, os barqueiros trabalham com fila para melhor organização. Na baixa temporada é melhor que faça um agendamento prévio do barco porque nesta época não é garantida a frequência.

Se escolheu a Praia do Sono como próximo destino e quer ficar por dentro do que está rolando, sugiro que acompanhe esta página do facebook aqui. Ela é administrada por uma moradora da praia e ela sempre publica novidades, mudanças e dicas gerais do local.

Vista da praia a partir da trilha ecológica.

Bate e volta ou pernoite?

Como eu estava hospedada em Trindade, a minha visita à praia foi bate e volta, mas caso tenha disponibilidade de tempo, eu acho super válido estender a visita.

Se decidir passar a noite sentindo a suave brisa do mar, você poderá optar por alugar um chalé ou uma casa ou então acampar. Tenho vontade de acampar por lá no Ano Novo, embora saiba que o local lota, mas já ouvi algumas pessoas falando que a experiência é válida.

Sou apaixonada por camping, como eu já revelei neste post aqui sobre acampar em Trindade, e a Praia do Sono é também um lugar que combina muito com a ideia do camping e da proximidade com a natureza. Só uma dica: evite acampar próximo a córregos nas épocas de chuva (novembro a março), pois eles geralmente transbordam.

O que tem de bom?

A Praia do Sono possui uma estrutura limitada se comparada ao centro de Paraty. Contudo oferece alguns quiosques/bares que possuem sanduíches e pratos executivos nos cardápios. À noite há alguns barzinhos por lá que oferecem música ao vivo.

Recomendo que levem dinheiro trocado, porque tive que ficar zanzando atrás de um quiosque que tivesse troco. E até o momento em que visitei (setembro/2017) não havia estabelecimentos que aceitassem cartão. Válido ressaltar que não há bancos ou caixas eletrônicos por lá.

Atividades praianas

Extensão até praias e cachoeiras próximas: caso tenha tempo, pode esticar as canelas e fazer a trilha que começa no fim da praia até as praias Antigo e Antiguinho (elas ficam separadas da Praia do Sono por um morro bem íngreme e para ir até lá precisará fazer a trilha inclinada que é rápida, mas um pouco puxada), a praia de Ponta Negra e cachoeiras como a das Galhetas.

Relaxar: você pode curtir a vibe tranquila e aproveitar o privilégio que é poder contemplar este paraíso (foi basicamente o que fiz e rumores dizem que sigo abestalhada até hoje).

Festival de Inverno: acontece anualmente com o objetivo de valorizar a cultura caiçara e seus costumes. Caso sua visita coincida com o festival, saiba que geralmente rolam atividades para crianças, jovens, adultos e idosos como oficinas, teatro e música.

Início da Praia do Sono.

Se você tem uma afeição especial por turismo de base comunitária:

Curtir campeonato de surfe: existe uma associação na praia que ensina as crianças da comunidade a surfar e promove campeonatos. Então se as datas coincidirem uma opção é observar de perto o dia a dia dessa turminha.

Curtir o Fest Juá: campeonato de futebol que reúne jogadores das comunidades Ponta Negra, Sono, Mamanguá, Calhaus, Pouso da Cajaíba, Ponta da Joatinga e Cairuçu das Pedras. Geralmente conta também com eventos para a comunidade e acontece em locais variados como Paraty e Ponta, dependendo da edição.

Uma atençãozinha especial:

  • É importante ressaltar que não é mais permitido acessar à praia com animais estimação (parece que o local estava sendo usado como desova de animais).
  • Especificamente no transporte pela kombi, também não é permitido o porte de stand-up paddles, bagagem excessiva, quantidade grande de bebidas alcóolicas e artesanato.
  • Pratique o turismo consciente: não polua trechos da trilha nem a praia e não maltrate animais pelo caminho (caso encontre cobras pela trilha, siga as recomendações indicadas aqui). Atenção aos caranguejos goroças (encontrados na praia frequentemente), eles são bem delicados e geralmente medrosos, evite mexer com eles ou assustá-los.

Um cházinho de realidade:

A comunidade da Praia do Sono enfrenta algumas dificuldades, que precisam ser trazidas à tona para fomentar a discussão e estabelecer relevância:

  • Briga com o Condomínio Laranjeiras para uma parceria mais eficaz (como melhor estrutura do cais onde barcos aportam, permissão de entrada de veículos grandes de transporte que levam mercadorias, etc.);
  • Falta de manutenção da trilha (que é inclusive usada por moradores);
  • Falta de merenda nas escolas;
  • Em 2017, a coleta de lixo foi suspensa temporariamente por falta de pagamento (por parte da Prefeitura de Paraty) do barco que realizava a coleta, impulsionando os moradores a fazerem uma “vaquinha” para custear o barco.

Acredito que é parte de nossa responsabilidade não somente explorar o local em visita, mas conhecer seus desafios além das virtudes e sempre que possível empregar ações práticas para ajudar o local, caso esteja em nosso alcance. Informação é necessária principalmente quando nos tira de nossa zona de conforto, pois impulsiona o exercício de empatia.

Uma visão privilegiada do paraíso.

A Praia do Sono é moradia de uma simplicidade mágica, cenário paradisíaco e preciosidade geográfica. É um dos tesouros com o qual o Rio de Janeiro foi presenteado e é uma joia que precisa ser protegida e admirada.

Seu negócio é praia? Então confere só o post aqui no blog sobre Trindade, berço de praias incríveis próximas à Paraty.

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