Dica de rolê cultural por São Paulo além do MASP

Foto capa da postagem de rolê cultural por São Paulo do blog Negra em Movimento

São Paulo é uma cidade referência no que tange à economia, política e cultura além de ser a cidade brasileira de maior influência no cenário global. Localizada no sudeste brasileiro, é uma região extremamente globalizada e tem muito a oferecer.

Inegavelmente São Paulo sempre me remete à cultura e toda vez que vou à cidade procuro usufruir das atividades culturais que ela oferece, sobretudo as diversas opções gratuitas que possui. Assim, reuni algumas delas neste roteiro caso precise de inspiração em sua próxima visita.

É importante ressaltar que as informações sobre horários e preços que aqui estão se referem ao período pré Covid-19, então é possível que se alterem quando os locais voltem a operar.

Sem delongas, vem conferir a lista dividida por áreas:

Bairro Jardim Europa

Museu Eva Klabin

Endereço: Rua Portugal, 43 – Jardim Europa, São Paulo – SP

Horário de funcionamento: De quarta à Sexta (somente com Educador) (14h, 15h, 16h ou 17h) e aos finais de semana visitação livre de 14h às 17h ou com educador (14h, 15h, 16h ou 17h)

Preço: R$10, 00 inteira; R$5,00 Meia

O Museu Eva Klabin é uma instituição sem fins lucrativos que homenageia Eva Cecília Klabin, uma empresária, colecionadora e mecenas brasileira.

Ao longo de seus 88 anos, ela reuniu um valioso patrimônio artístico que pode ser testemunhado na Fundação com seu nome em sua antiga casa no Rio de Janeiro e também no Museu-Casa em São Paulo.

Fotos autorais

Assim que a instituição tem como objetivo utilizar o acervo para compreender as peças e história da colecionadora além de promover atividades culturais como propostas práticas e oficinas de criação.

Além disso também utiliza visitas mediadas para desenvolver ações educativas com foco em instituições escolares, ONGs, grupos com deficiência e vulnerabilidade social.

É um prato cheio para quem gosta de história da arte (como eu)! E também arquitetura, porque a construção é belíssima. Além de estar localizada bem de frente para as atrações a seguir.

Museu de Imagem e do Som (MIS)

Endereço: Avenida Europa, 158 – Jardim Europa, São Paulo – SP

Horário de funcionamento: (pendente atualização após suspensão de atividades pelo Covid-19)

Preço: Visitação ao espaço é gratuita; para exposições: consultar conforme a programação

O MIS é um centro cultural em São Paulo que promove exposições e programas culturais nas áreas do cinema, dança, música, vídeo, fotografia e outros além de cursos teóricos e práticos, de curta e média duração nas mesmas áreas.

Fonte: Site TripAdvisor

Similarmente, o acervo do local pode ser consultado na Midiateca e o espaço também conta com um restaurante de Felipe Bronze chamado Pipo (Instagram: @pipo_sp) .

Quando visitei o MIS, não havia nenhuma exposição acontecendo, então minha visita foi um tanto frustrada já que acredito que o acervo do local é mais interessante para pesquisadores da área. Sendo assim, recomendo que chequem se há uma exposição interessante acontecendo antes da visita, mantendo em mente que os ingressos que o número de ingressos por dia é limitado e são vendidos previamente online ou diretamente na bilheteria (mediante disponibilidade).

Museu Brasileiro da Escultura e Ecologia (MuBE)

Endereço: Entradas pela Rua Alemanha, 221 e Avenida Europa 218 – Jardim Europa, São Paulo – SP

Horário de funcionamento: Terça à domingo, de 10h às 18h

Preço: Gratuito

O MuBE é um museu a céu aberto criado a partir da concessão do terreno entre a Rua Alemanha e a Avenida Europa pela prefeitura de São Paulo. Seu prédio é um marco da arquitetura mundial e seu jardim é projetado pelo renomado Roberto Burle Marx.

Fonte: Site Veja São Paulo

Não é permitido andar de bicicletas, skates, patins ou patinetes por lá, então nada de ficar tentato pelo grande espaço. É possível fotografar sem flash para uso pessoal, mas ensaios fotográficos precisam ser autorizados pela coordernação.  

O conceito do museu é bem diferentão, a princípio tive dúvida se era mesmo o local porque ele não atende a estrutura tradicional do museu com suas obras padronizadas uma ao lado da outra com o boletim informativo correspondente. As esculturas estão espalhadas pelo espaço de forma despojada e o interessante é percebê-las de surpresa.

Bairro Liberdade

Passado

O bairro da Liberdade é um dos mais famosos de São Paulo e certamente dispensa apresentações. Ou talvez não. Quando pensamos Liberdade, pensamos na maior representação da cultura nipônica na cidade, mas desconhecemos o seu passado – eu mesma desconhecia até pouquíssimo tempo atrás.

O triângulo do conhecido Centro Histórico era o centro de práticas de torturas de pessoas negras na época da escravidão. Ali havia o Pelourinho, a forca, os cemitérios da cidade e o Sítio do Telégrafo (ou Sítio do Quebra Bunda). Era o caminho percorrido pelo negro escravizado acusado de um crime e a punição era executada em praça pública como um exemplo de autoridade.

De acordo com o site Guia Negro, a Praça da Liberdade está localizada onde era o chamado Largo da Forca; foi ali determinada a execução do Chaguinhas, soldado negro condenado à morte por liderar uma revolta pelo não-recebimento de salários em 1821.

Em resumo, quando ele seria enforcado, a corda arrebentou, impulsionando a multidão a gritar “liberdade”, o que originou o nome do bairro. Os japoneses só chegaram ao local a partir de 1900, num momento em que os negros eram expulsos.

Caso queiram conhecer mais da história do bairro, podem consultar o site Geledés.

Fotos autorais

Presente

Hoje o local é conhecido pela gastronomia, por seu rico centro comercial e pela famosa Feirinha da Liberdade. É um culto que reverencia a cultura japonesa e é incrível neste sentido, principalmente o lindo Jardim Oriental. O Museu Histórico da Imigração Japonesa e o Palacete Conde de Sarzedas são também ótimos lugares para visitação além dos templos budistas.

Mas é importante lutar contra a invisibilização da memória e legado negro que formou aquela região, portanto o Beco dos Aflitos é um ótimo lugar para iniciar sua visita. Agora que sabemos quantos de nós sangramos naquele lugar não mais o veremos da mesma forma.

Em suma, a melhor forma de chegar ao bairro é utilizando o metrô, a estação Liberdade fica na linha azul e fica bem na Praça da Liberdade. A famosa feirinha acontece aos fins de semana e vale à pena conhecê-la, apenas se prepare para um bairro cheio de entusiastas da cultura nipônica buscando tiras fotos com as disputadas lanternas vermelhas espalhadas pelas ruas.

Região da Avenida Paulista

Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP)

Endereço: Avenida Paulista, 1313 – São Paulo, SP (Em frente à estação de metrô Trianon-MASP)

Horário de funcionamento: terça à sábado, de 10h às 22h e domingo de 10h ás 20h.

Preço: visitação gratuita, para exposições consultar mediante programação

O FIESP é um centro cultural voltado à diferentes manifestações artísticas e culturais que englobam artes cênicas e visuais, audiovisual, música, literatura e tecnologia. O espaço é composto pelo Teatro do SESI-SP, o espaço Mezanino, Galeria de Arte, Espaço de Exposições, Galeria de fotos e Galeria de arte digital.

De fato o FIESP é riquíssimo e quando visitei a exposição sobre os 60 anos da carreira de Maurício de Sousa estava acontecendo e que sorte! A exposição destacava a história de quase 500 de seus personagens através de produtos culturais, apps, jogos, desenhos animados, filmes e animações. Como não voltar a ser criança no mundo da Turma da Mônica?

Fotos autorais

Japan House

Endereço: Avenida Paulista, 52 – São Paulo, SP (Estações de metrô próximas: Brigadeiro ou Paraíso)

Horário de funcionamento: terça à sábado das 10h às 20h, domingos e feriados das 10h às 18h.

Preço: visitação gratuita, para exposições consultar mediante programação

A Japan House é um projeto que promove a genuína cultura japonesa para a comunidade internacional; São Paulo foi uma das regiões escolhidas para abrigar o projeto junto à Londres e Los Angeles. Além de atividades culturais sobre a cultura japonesa, o espaço inovador conta com o restaurante Aizomê, o Café Sabor Mirai e as Lojas Shin e Furoshiki.

Em minha visita acabei de surpresa numa apresentação de Lun Lun Ballon, um grupo teatral originário da cidade de Okinawa que faz uma apresentação de balões coloridos com temática infantil. O grupo é composto pelo artista de balões Rei Aragaki, coreógrafa Reiko Ota e dançarinos da escola Tamagusuku Ryu Gyokusenkai.

Com toda a certeza para quem é fã da arte japonesa, a Japan House é um prato cheio para sucesso.

Fonte: Site O Globo

Instituto Moreira Salles (IMS)

Endereço: Avenida, Paulisa, 2424 – São Paulo, SP

Horário de funcionamento: terça a domingo e feriados, das 10h às 20h; às quintas de 10h às 22h

Preço: Gratuito

O IMS São Paulo é um museu vertical de nove andares construído a partir de conceitos sustentáveis. Além da área para exposições, o espaço conta com um cineteatro, uma Biblioteca de Fotografia, salas de aula, a loja-livraria e o café-restaurante Balaio. O museu é adentrado pela Praça IMS no térreo e seu acervo é acessível por escadas rolantes, sendo o ambiente de entrada no quinto andar.

Em minha visita, duas exposições me impactaram bastante. A primeira foi a de Susan Meiselas: Mediações; Susan é uma fotógrafa estadunidense que reuniu nessa exposição suas obras desde a década de 70 até a atualidade.

Como resultado seu trabalho nos leva à zonas de conflito na América Central e cobrem diversos temas como direitos humanos, identidade cultural e indústria do sexo através de filmes, vídeos, documentos e fotografias. A exposição é humanamente impactante.

Fotos autorais: Exposição Susan Meiselas – Mediações

A segunda foi Harun Farocki: Quem é responsável?; exposição do alemão Harun que teve sua primeira etapa no IMS Rio de Janeiro com obras de imagens variadas sobre observação e controle e sua segunda etapa no IMS São Paulo.

Em síntese a mostra trouxe filmes e videoinstalações sobre o mundo do trabalho e como as formas de produção moldam a nossa vida. Basicamente um tapa na cara sobre como o trabalho se tornou a autoridade sobre nossas vidas.

Região do Parque Ibirapuera

Pavilhão Japones

Endereço: Av. Pedro Álvares Cabral, Portões 3 e 10 – Parque Ibirapuera, São Paulo – SP

Horário de funcionamento: quarta, sábado, domingo e feriados de 13h às 17h

Preço: R$10 inteira; R$5,00 meia (para adentrar o edifício), o jardim e áreas abertas têm visitação gratuita

O Pavilhão Japonês é como um esconderijo necessário em meio à agitação de São Paulo. Além do jardim repleto de plantas e árvores ornamentais, há uma construção inspirada no Palácio Katsura em Quioto que reúne uma pequena mostra da cultura japonesa.

Fotos autorais

Em princípio podemos ver peças de cerâmica, trajes de guerreiros e outros objetos típicos e na parte dos fundos da construção, ademais observamos um lago repletos de carpas e podemos alimentá-las se quisermos (a ração é vendida a um preço simbólico).

Nesse sentido o Pavilhão é absolutamente fascinante! É como um oásis de calmaria e eu realmente não queria deixar aquela paz. Fotos não são permitidas na área de exposição do acervo, mas podemos fotografar a construção com celular, mas não com câmera profissional (para minha tristeza).

Museu Afro Brasil

Endereço: Avenida Pedro Álvares Cabral, Portão 10 do Parque Ibirapuera – Ibirapuera, São Paulo – SP

Horário de funcionamento: terça a domingo das 10h às 17h (permanência até às 18h)

Preço: R$15,00 Inteira; R$7,50 Meia / Gratuidade aos sábados / Política de gratuidade diferenciada para alguns grupos que podem ser consultados no site do museu

O Museu Afro Brasil é um queridinho e é fácil entender porque. É uma instituição que conserva nada menos do que seis mil obras (entre pinturas, esculturas, gravuras, fotos, documentos e peças etnológicas) de autores brasileiros e estrangeiros que trabalham com artefatos culturais africanos e afro-brasileiros.

Temas como religião, trabalho, arte e escravidão são abordados na exposição de longa duração e além dela o museu realiza exposições temporárias, contando também com um auditório e uma biblioteca especializada.

Lembro que quando visitei eu entrei quase em uma espécie de hipnose ao observar a quantidade de obras expostas, mas absolutamente me choquei com a sala que abriga a reprodução de um navio negreiro. É uma experiência tão forte que me deixou em lágrimas e é sem dúvida o museu que, de todos, eu mais recomendo.

Fonte: Site Parque Ibirapuera

Região do Centro

Pinatoteca Luz

Endereço: Praça da Luz, 2 – Centro, São Paulo – SP

Horário de funcionamento: quarta a segunda, das 10h às 18h

Preço: Gratuito

Nossa querida “Pina” é um museu de artes visuais que enfatiza a produção brasileira do séc. XIX até a contemporaneidade; fundada em 1905, realiza mostras de arte brasileira e exposições temporárias de artistas nacionais e internacionais.

Seu acervo conta hoje com cerca de onze mil peças distribuídos por dois edifícios, Pinacoteca Luz e Pinacoteca Estação. Somente visitei a da Luz até hoje e ela é impressionante de um jeito que nem caberia dizer, sobretudo o acervo de esculturas.

Seja como for é um daqueles lugares que podemos visitar várias vezes e nos surpreendermos todas elas. Atualmente está em suspensão por conta do Covid-19, mas possui um tour virtual para quem ainda não conhece ter um gostinho do que pode esperar.

Fonte: Guia da Semana

Estação da Luz

Endereço: Praça da Luz, 1 – Luz, São Paulo – SP

Horário de funcionamento: sempre aberta

Preço: visitação do espaço é gratuita

A Estação da Luz é referência em termos de arquitetura e é palco de ensaios fotográficos não à toa. Foi projetada pelo Barão de Mauá para suceder a antiga estação datada de 1867, tendo sido construída entre 1895 e 1901 e hoje é um dos principais centros metro-ferroviários da cidade.

Um monumento arquitetônico, os materias de sua construção foram todos importados de lugares como França e Escócia. É um lugar que faz parte do cotidiano de trabalhadores e não precisa nem ao menos de propaganda, porque sua beleza por si só já facilita a visita.

Fonte: Site Wikipedia

Memorial da Resistencia

Endereço: Largo General Osório, 66 – Santa Efigênia, São Paulo – SP (Metrô Luz)

Horário de funcionamento: quarta a segunda, de 10h às 17h30

Preço: Gratuito

O Memorial da Resistência é, antes de mais nada, um museu voltado à memórias de resistência e repressão política no Brasil republicano (1889 até os dias de hoje). Parte do edifício foi sede do Departamento Estadual de Ordem Política e Social de São Paulo (DEOPS-SP), política extremamente violenta aplicada durante o regime militar brasileiro.

O conjunto museológico apresenta documentos, vídeos e exposições acerca dos temas resistência, controle e repressão política e é um soco no estômago, sem sombra de dúvidas.

Fotos autorais

Podemos visitar as celas onde presos políticos eram mantidos e além de audios, vemos escrituras nas paredes deixadas por aqueles que lutaram contra um sistema opressor durante a ditadura.

Enquanto escrevo eu me arrepio porque essa visita é transformadora de maneiras inimagináveis. Era um lugar que sempre quis muito visitar em São Paulo e que não fica muito no radar turístico, sobretudo porque sua localização é numa região deserta que tristemente foi tomada pela mendicância que assola grandes cidades.

É uma recomendação fortíssima, porém, ressaltando os cuidados necessários para ir ao local. Pode ir de metrô até a Estação Luz, mas apesar de ser apenas uns 10 minutos de caminhada até o local, é mais seguro pegar um Uber ou um táxi. É importante não deixar de ir.

Bairro do Pacaembu

Museu do Futebol

Endereço: Praça Charles Miller, s/n – Pacaembu, São Paulo – SP

Horário de funcionamento: terça à domingo, de 9h às 17h e horário especial em dias de jogos no Estádio do Pacaembu (checar programação na agenda do museu)

Preço: R$20,00 Inteira; Meia R$10,00 Meia / Preço Especial no Combo Família e para grupos com no mínimo 10 pessoas / Entrada gratuita às Terças

Fonte: Site O Governo de São Paulo

O Museu do Futebol em São Paulo busca preservar e promover o futebol como expressão cultural no país, tratando o futebol como patrimônio. O museu era um lugar pelo qual eu não dava muito porque não gosto de futebol, mas suas interfaces interativas e dinâmicas conquistam facilmente e acabamos saindo apaixonadas pelo seu conteúdo.

São Paulo é uma cidade que já visitei muitas vezes e que pretendo visitar muitas vezes mais porque sempre há algo novo a ser descoberto por lá. Neste aspecto me lembra muito Nova Iorque, porque me traz a sensação de novidade também. É uma região que se renova e que nos renova a cada manifestação cultural que descobrimos.

Que outra cidade no Brasil te faz sentir deste jeito? Fique à vontade de bater papo comigo nos comentários.

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