Selo Turismo Responsável: a solução para o turismo pós-Covid?

Foto capa da postagem sobre o selo turismo responsável no blog Negra em Movimento.

O cenário do turismo pós-pandemia ainda é bastante incerto, mas empresas e profissionais do turismo estão buscando articular medidas para recuperar negócios impactados pelo Covid-19. O Selo Turismo Responsável pode ser um grande aliado nesse objetivo.

A iniciativa é uma proposta do Ministério do Turismo para estabelecer boas práticas de higienização para diferentes segmentos do setor turístico. Essa é a primeira etapa do Plano de Retomada do Turismo Brasileiro coordenado pelo MTur.

Assim, quando for seguro viajar novamente, as pessoas se sentirão mais confiantes na noção de que os estabelecimentos estão prezando pela sua saúde. Isso também constrói uma imagem positiva do Brasil no exterior.

Para conseguir o selo, empresas e guias de turismo precisam estar inscritos no Cadastur (Cadastro de Prestadores de Serviços Turísticos) e então fazer a adesão através deste link.

Quando o selo é aprovado, o negócio recebe o selo para a impressão e deve colá-lo em local de fácil acesso ao turista e também conterá um QR Code, pelo qual os clientes podem conferir as diretrizes estabelecidas pelo selo para aquele estabelecimento.

À quem ele atende?

Quando acessa o site do selo, é possível analisar as diretrizes específicas indicadas a cada um destes 15 segmentos, clicando sobre cada um deles:

Meios de hospedagem, agências de turismo, transportadoras turísticas, organizadores de eventos; parques temáticos; acampamentos turísticos; restaurantes, cafeterias e bares;, centros ou locais de convenções, feiras e exposições; empreendimentos de entretenimento e lazer de parques aquáticos são alguns deles.

Em adição temos empreendimentos de apoio ao turismo náutico ou à pesca desportiva; casas de espetáculo, prestadora de serviços de infraestrutura para eventos; locadoras de veículos para turistas; prestadoras especializadas em segmentos turísticos e guias de turismo.

Além disso, existe um protocolo com instruções para turistas com 11 atitudes que devem ser adotadas para a prática do turismo responsável.

  1. Ter informações/orientações claras e atualizadas sobre medidas específicas a serem implementadas;
  2. Evitar cumprimentar com contato físico, incluindo apertar as mãos, tanto de funcionários quanto de outros turistas. A distância de segurança deve ser respeitada sempre que possível;
  3. Cobrir o nariz e a boca com lenço ou com o braço, e não com as mãos, ao tossir ou espirrar;
  4. Preferencialmente lavar as mãos com água e sabonete após espirrar, assoar o nariz ou tossir ou, ainda, tocar as superfícies potencialmente contaminados (dinheiro, balcão do estabelecimento, etc.);
  5. Evitar tocar olhos, nariz e boca com as mãos não lavadas;
  6. Desinfetar com frequência objetos de uso pessoal (copos, celulares, etc.) com água e sabão quando possível ou, quando não for possível, utilizar uma solução desinfetante;
  7. Não compartilhar equipamentos ou objetos pessoais com outras pessoas;
  8. Evitar aglomerações;
  9. Se apresentar algum sinal ou sintoma de Covid-19, evitar contato físico com outras pessoas, principalmente, idosos e doentes crônicos (e comunicar imediatamente a direção do serviço aonde estiver hospedado);
  10. Evitar tocar em paredes, balcões e outras superfícies;
  11. Observar se o estabelecimento está cumprindo o protocolo proposto.

Qual a proposta?

Existe também uma sessão de perguntas e respostas onde pode tirar dúvidas sobre o Selo Turismo Responsável e o que ele afeta na prática.

A ideia do programa é bastante interessante, mas enquanto turismóloga penso logo na real efetividade da iniciativa. A fiscalização do cumprimento das medidas será realizada de uma maneira “informal” pelas pessoas que utilizarem os serviços e produtos.

Ou seja, caso algum visitante perceba que o negócio não está atuando de acordo às diretrizes estabelecidas pelo selo, ele pode realizar uma denúncia junto ao Ministério do Turismo e o estabelecimento corre o risco de ter o selo revogado.

Nesse sentido, a proposta do Selo Turismo Responsável é fornecer informações, tanto para os profissionais do turismo quanto para os visitantes, acerca do que é necessário ser feito para que a atividade turística seja realizada com segurança e responsabilidade e a partir disso todos estariam encarregados de fazer dar certo.

Admito que sou bastante cética a respeito de qualquer iniciativa pública que não estabelece vias concretas de fiscalização porque em minha opinião grande parte dos problemas do país seria resolvida se houvesse de fato um acompanhamento sobre a forma como tudo é feito.

Contudo, vamos avaliar como tudo vai funcionar e a quantidade de negócios turísticos que irá aderir à ideia. Eles ainda informam que em breve o protocolo será atualizado com a adição do segmento de cruzeiros marítimos.

O que vocês pensam sobre a iniciativa? Acham que pode ser a grande esperança do turismo brasileiro? Contem para mim nos comentários.

Foto retirada do site Unsplash em concordância com os direitos autorais. Autoria de Morning Brew.