Trindade: o que fazer nesta charmosa vila caiçara

Trindade é uma vila caiçara localizada a 30km de Paraty nos limites do Parque Nacional Serra da Bocaína. Sua história é marcada por uma disputa para se manter no local, quando na década de 70 houve o interesse de uma multinacional para construir um condomínio de luxo na região.

Eles conseguiram salvar suas terras com a ajuda de visitantes que frequentavam a área. Desde então o turismo vem servindo como um grande componente, sendo hoje a principal fonte de renda no local.

Trindade recebe turistas do mundo inteiro devido às suas belezas naturais inigualáveis. Inegavelmente é um oásis de tranquilidade que nos fisga assim que lá pisamos e comigo não foi diferente.

Chega mais que vou dar umas dicas de como melhor aproveitar este pedacinho de céu:

Como eu chego?

A estrada de caminho à Trindade fica no KM 589 da Rodovia Rio-Santos e você pode chegar com carro particular ou com ônibus regular da empresa Colitur, saindo da rodoviária de Paraty. Não é permitida a entrada de vans ou ônibus de turismo na vila.

Os ônibus costumam partir em direção à vila de uma em uma hora geralmente em horários cheios (12h, 13h, etc.). No horário da noite pode haver alterações, então é bom checar.

De carro, siga pela estrada a partir do KM 589, dirija com cuidado porque o caminho é cheio de curvas. Logo no início da estrada, irá avistar a sede da Associação Cairuçu com seu posto de informações turísticas e um posto policial ao lado.

Após a primeira ladeira, haverá uma bifurcação: siga para a direita em direção à Trindade. Em resumo o trajeto dura em torno de meia hora e a primeira praia que encontrará é a do Cepilho; atravesse o pequeno riacho em frente à ela e em breve avistará seu destino.

Onde é que vou dormir?

Quando estava pesquisando sobre hospedagem por lá, a primeira dúvida que surgiu foi entre me hospedar em Paraty ou Trindade. Paraty tem uma estrutura bem mais encorpada do que Trindade, mas li que Trindade tinha as melhores praias. Como escolher?

Minha dica é que estabeleça o seu objetivo e o tempo de viagem e aí decida a partir disso. Por exemplo, eu não sou apaixonada por passeios de barco (que são a base em Paraty quando vai conhecer praias), estava mais na vibe de fazer trilhas e explorar o local a pé. Além de que, Trindade tinha a sedução do camping, que foi o que encerrou a dúvida para mim.

Não deixe de ler o post com 3 motivos para você acampar em Trindade.

Então a opção para mim foi ficar por lá mesmo de acordo com o que eu buscava. Fiquei no Camping Menina Flor, que é muito bem estruturado e custou R$30 por noite, mas há opções de pousadas e chalés também se acampar não for pra você.

Camping Menina Flor.

O que tem de bom?

Trindade é bem pequenininha e você fará tudo por lá à pé; dá pra conhecer tudo em um dia só se focar nas principais praias e piscina natural. Divida por dois dias se quiser explorar com mais tranquilidade ou três se pensa em conhecer todas as praias e cachoeiras.

À noite há opções de bares, restaurantes e pizzarias que não se estendem até muito tarde; não há badalação, mas para mim atendeu ao que se propunha e ao que eu buscava. Deu para tomar uma cerveja e curtir uma apresentação ao vivo de MPB. Meu paraíso.

O bacana de Trindade é que por ser tão minúscula, vira e mexe eu encontrava as mesmas pessoas ao caminhar pelas ruas (até mesmo quem estava lá visitando). No segundo dia eu já reconhecia os moradores e, com certeza, eles também já tinham gravado minha cara.

E nos momentos em que não estava transitando pelas lojinhas de souvenir ou aproveitando de um peixe no restaurante, estava atrás da natureza que a vila esbanja.

Praia Brava

Uma praia mais distante cujo acesso é pela estrada no sentido de quem segue para a vila, do lado esquerdo. Assim como o nome diz, a praia é incrível, mas suas ondas são bem fortes e a trilha de acesso com duração de 30 minutos não é bem sinalizada. Há também uma cachoeira de mesmo nome cujo acesso é pela praia com 5 minutos de caminhada.

Praia do Cepilho

A queridinha dos surfistas é composta por grandes e impressionantes formações rochosas. Encantadora que só, abriga um único quiosque para matar a sede e merece uma parada para fotos.

Praia de Fora

Uma pequena extensão que liga à Praia do Cepilho até a Praia dos Ranchos, servindo como uma bela via de passagem.

Praia dos Ranchos

Essa daqui ocupa a extensão de toda a vila e é uma das mais famosas. Foi a primeira praia que me indicaram visitar devido ao seu fácil acesso e foi onde dei meu primeiro mergulho ao chegar.

Praia dos Ranchos, a praia mais próxima à região turística da vila.

Praia das Conchas

Formada por conchas, é acessível por trilha através da Praia dos Ranchos. Uma minúscula que fica entre a Praia dos Ranchos e a Praia do Meio, apresentando uma vista bonita, mas não recomendável para banho.

Praia do Meio

Tida como a preferida dos turistas, estava bem cheia quando passei por ela e logo não foi uma de minhas preferidas. Ela é “cortada” por uma formação rochosa e no fim dela há um pequeno rio ao lado da trilha que leva à Praia do Cachadaço.

Praia do Cachadaço

Com ar de praia escondida, o acesso a ela é através de uma trilha um pouco travessa que sobe e desce, mas o resultado é esplêndido. No fim da praia, encontra-se a trilha para a piscina natural do Cachadaço.

Piscina do Cachadaço

Piscina natural envolta por pedras vulcânicas com uma água límpida onde podemos ver peixes coloridos. É um dos lugares obrigatórios.

Praia da Figueira (“Praia dos Pelados”)

Acho que pelo nome, você já sacou, né? Não cheguei a visitá-la, mas ela é tida como uma praia de águas tranquilas onde a prática do naturalismo é liberada.

Cachoeira “Pedra que Engole”

Essa daqui virou um cartão de visitas e com certeza se jogar no Youtube vai encontrar alguns vídeos. Na cachoeira, existe um local onde é possível escorregar por entre as rochas e “sumir” quando cai na água, dando a impressão de que as pedras te engoliram.

A trilha para a cachoeira pode ser iniciada a partir da Praia do Meio ou da própria vila. Tem duração de 20 minutos.

Poço Fundo & Cachoeira do Escorrega

Quase do lado da Pedra que Engole, o nome do poço já entrega o tesouro e a cachoeira é apresenta um escorregador natural que desemboca em águas cristalinas.

Poço Dois Paredões

Com acesso no meio da trilha que leva à Pedra que Engole, este poço fica entre duas grandes pedras que parecem paredões. É composto por águas claras e geladas.

Cabeça do Índio

Localizada na ponta de Trindade, a pedra marca a divisa entre São Paulo e Rio, servindo como um mirante. A trilha tem duração de 2h aproximadamente e é recomendada para quem já tem alguma experiência com trilhas.

Pr’ocê que é curioso:

  • Cheque o calendário cultural da região para saber dos festivais bacanas que podem estar rolando quando você visitar.
  • Veja “Trindade para os Trindadeiros – 30 anos depois”: um documentário interessante contando a história de luta da comunidade caiçara contra a multinacional para manter suas terras durante o regime militar.
  • Conheça a ONG Caixa D’aço – Bocaina Mar: entidade formada por tradicionais caiçaras, pesquisadores e estudantes com o objetivo de preservar o Parque Nacional, conservar a biodiversidade de Trindade e valorizar a cultura caiçara na região.
  • Conheça o Projeto Infantil Bicho do Mato: objetiva resgatar a cultura e promover a conscientização da natureza a partir da realização de atividades sustentáveis que envolvem arte, educação e exercício de solidariedade com crianças do local.

Um cházinho de realidade:

Desde que o turismo se popularizou em Trindade, instalou algumas dicotomias e é importante trazer à tona algumas delas:

  • Trindade vem sendo vítima de práticas de turismo irresponsável, que está colocando em risco o futuro do local. Lembre-se de recolher seu lixo, não deixar restos de comida e carvão pelas praias e não depredar a região. A fiscalização peca em sua função, mas não precisamos de placas para ditar alguns hábitos simples de respeito, né?
  • O turismo se tornou a principal atividade econômica da região, mas se desenvolveu de maneira desordenada. O fluxo de pessoas tem ameaçado a preservação da biodiversidade, principalmente em períodos de alta temporada e feriados.
  • O desenvolvimento insustentável do turismo tem também desafiado a preservação da cultura caiçara, logo isso que está acarretando em um processo de marginalização da comunidade. Ainda existem traços da cultura caiçara, mas é preciso ter cuidado para que não se agrave a descaracterização.

Estes problemas se agravam devido à dependência financeira que a comunidade tem na atividade turística. Dificulta que medidas de reestruturação turística estejam em conformidade com a população devido ao receio do impacto que teria na renda.

Por fim, Trindade é terra de muitos encantos e por esta razão, precisamos repensar os cuidados que ela requer; assim podemos explorá-la cientes do que ela nos dá e do que ela precisa de nós. Isso garante que ela continue fazendo história ao invés de se tornar memória.

Pertinho de Trindade, você encontra também a Praia do Sono, que é facilmente uma das praias mais incríveis no Rio. Fiz um post aqui no blog super especial com dicas para visita-la, fique à vontade para conferir.

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